Começamos a consumir leite vegetal no final de 2011, quando descobrimos que o Bernardo tinha APLV. A alergia dele nunca foi super grave, mas optamos por tirar leite e derivados (e na época soja e carne bovina também) da alimentação da família inteira.

No começo foi um pouco complicado (para nós, os adultos) a adaptação a um novo cardápio super diferente , sem todas aquelas coisas que comíamos todo santo dia. Em alguma das várias consultas com a gastro(pediatra), recebemos uma listinha cheia de receitas que poderíamos usar para substituirmos os ingredientes proibidos. Tinha sugestão de substituição de manteiga, de chantilly, de carne bovina e de leite.

Nem preciso dizer que as receitas de leite vegetal foram as mais testadas e as mais repetidas até hoje, né? Queria deixar aqui algumas receitas e algumas dicas para quem tá começando nesse mundo sem leite. 

– Leite de amêndoas
Uso para: bolos.
Observações: O gosto é bem neutro, então dá para usar em várias receitas. Não é muito gorduroso nem proteico (não usaria para fazer iogurte, por exemplo) e pode sair um pouco caro (dependendo do preço do quilo da amêndoa). 

– 1 xícara de amêndoas (sem sal, sem casca)
– 1 colher (de chá) de sal
– 2 xícaras de água (para deixar as amêndoas de molho)
– 3 ou 4 xícaras de água (se quiser um leite mais grosso, coloque 3 xícaras)

Coloque as amêndoas de molho (só cobrir com água já separada) com o sal durante a noite (ou 12 horas). Depois é só escorrer a água, enxaguar as amêndoas e colocá-las no liquidificador. Acrescente as 3 ou 4 xícaras de água e bata tudo por, pelo menos, 1 minuto. Depois é só coar, se você quiser. Lembrando que nesse processo boa parte das fibras e nutrientes são separados do leite.

Fonte: thekitchn.com

Fonte da foto: thekitchn.com

– Leite de castanha-do-Pará
Uso para: colocar no cereal, vitaminas, colocar no café, em pratos salgados, molhos
Observações: O gosto é bem neutro, mas o leite é mais gorduroso, mais grosso. Acho super parecido com leite integral. Eu gosto de usar em pratos que quero mais grossinhos (como estrogonofe, por exemplo). Junto com o de amêndoas, tende a ser mais caro do que outros leites.

– 1 xícara de castanhas (sem sal, sem casca)
– 1 colher (de chá) de sal
– 2 xícaras de água (para deixar de molho)
– 4 xícaras de água (para bater o leite)

Coloque as castanhas de molho com o sal durante a noite. Depois é só escorrer a água, enxaguar as castanhas e colocá-las no liquidificador. Acrescente as 4 xícaras de água e bata tudo por, pelo menos, 1 minuto. Depois é só coar.

Fonte da foto: roarfood.co.nz

Fonte da foto: roarfood.co.nz

– Leite de côco
Uso para: iogurte, bolos, molhos,
Observações: É gorduroso e tem gosto de côco, mas não chega a atrapalhar o sabor dos pratos. O iogurte de coco fica bem gostoso, assim como bolos e molhos para pratos salgados. É uma opção barata.

Opção #1

– A polpa de um côco fresco
– 3 xícaras de água gelada ou da própria água do côco

Bater bem e depois coar.

Opção #2

– A polpa de um côco seco
– 4 xícaras de água quente

Bater bem e depois coar.

Fonte da foto: raiasrecipes.com

Fonte da foto: raiasrecipes.com

– Leite de aveia
Uso para: bolos, no cereal
Observações: Tem mais proteína que outros leites e é menos gorduroso (fica mais fino). É uma opção barata. As opções que citei acima não contém glúten. Infelizmente a aveia brasileira costuma conter porque é processada nos mesmos equipamentos que alimentos que contém naturalmente essa proteína. O Brasil já tem marcas de aveia sem glúten.

– 1 xícara de aveia (em grãos ou lâminas, não a farinha)
– 2 xícaras de água (para deixar de molho)
– 3 xícaras de água (para bater o leite)
– 1 colher (de chá) de sal

Coloque a aveia de molho (só cobrir com água já separada) com o sal durante a noite (ou 12 horas). Depois é so escorrer a água suja, lavar a aveia e colocá-la no liquidificador. Bata por 1 minutos com as outras 3 xícaras de água. Se desejar, é só coar.

Fonte da foto: www.godairyfree.org

Fonte da foto: www.godairyfree.org

Algumas dicas rápidas:

– Colocar as amêndoas, aveia e castanhas de molho (com o sal) durante a noite foi algo indicado pela gastro e eu sigo até hoje. Esse processo traz vários benefícios, tais como: remover anti-nutrientes (comuns nas oleaginosas e nos grãos), neutralizar inibidores de enzimas (que dificultam a digestão) e facilitar a absorção de proteínas. Não use a mesma água do molho para bater o leite.

– Eu gosto de deixar as amêndoas/castanhas/aveia de molho fora da geladeira, com um pano cobrindo a tigela.

– Na hora de bater o leite, você pode aproveitar para adoçá-lo ou acrescentar algum outro sabor. Mel, canela, baunilha e chocolate são ótimas opções. Eu particularmente prefiro não adicionar nada, já que assim posso usar aquele leite para pratos salgados também.

– É possível coar o leite com uma peneira comum, mas é muito mais eficiente coar com algo de pano. Assim o leite rende mais e a polpa (ou resíduo ou bagaço, como você preferir chamar) fica muito mais sequinha. O mais comum é usar um pano de queijo ou coador de café de pano. Essas duas opções são relativamente fáceis de achar e não são caras. Assim que eu comecei a fazer esses leites, abri um pacote de fralda de pano (sim, aquela de boca, de bebê mesmo) e usei durante bastante tempo. Sempre depois de fazer o leite, raspava a polpa e deixava a fralda de molho. Depois era só lavar normalmente.

– Aperte bem o pano (ou coador, ou fralda) na hora de coar.

– Se sobrar polpa “presa” no fundo do liquidificador é só jogar um pouco de leite, balançar e passar pelo coador novamente.

– A polpa que sobra serve de ingrediente para várias preparações. Depois de coar o leite, é só secar essa polpa no forno (coloque em temperatura média e vá mexendo de tempos em tempos até começar a ficar douradinha) ou em uma panela antiaderente (em fogo baixo). Você pode usar para vitaminas, sucos, para comer com frutas etc. Aqui em casa sempre vira farofa ou vai dentro de algum bolo.

– O resíduo do leite de côco é uma das coisas mais gostosas que existem :D

– Eu costumo guardar o leite vegetal em uma jarra (tampada) de vidro por até 3 dias, na geladeira.

– Tente guardar em alguma das prateleiras da geladeira e não na porta (para evitar muita variação de temperatura).

Espero que tenha te ajudado. :)

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Sempre que compartilho fotos de alguma lancheira que tenha gelatina no meio, me chovem perguntas do tipo “como você consegue mandar gelatina no lanche da escola sem que ela derreta?”. Eu optei por tentar mandar esse tipo de comida simplesmente porque os meninos adoram e é legal dar uma variada no cardápio, principalmente por causa de todas as restrições alimentares que eles têm.

Antes de passar a receita, eu queria ressaltar duas coisas:

A conservação do lanche: independente da presença de gelatina, eu deixo o lanche na geladeira até a hora de sair (se tiver gelatina, deixo 10 minutinhos no freezer), depois sempre guardo o pote dentro de uma lancheira térmica e coloco um barra de gelo em gel para garantir a conservação do que quer que tenha no cardápio.
– O horário do lanche: os meninos lancham em até duas horas depois que chegam na escola. Se fosse para mandar a lancheira pela manhã e eles só comerem pela tarde, com certeza não daria certo. Não sem uma geladeira na escola e, no caso deles, eu não conto com esse recurso.

Esses dois pontos realmente influenciam na hora de decidir o que eu posso e vou colocar no lanche deles. Agora vamos voltar ao assunto gelatina. Você basicamente tem duas opções: fazer a gelatina industrializada (em pó, com sabor) ou fazer a gelatina com suco natural, do zero.

Se você for pela opção número 1, o melhor método é reduzir a quantidade de líquido em relação ao pó da gelatina, assim ela fica mais durinha e resistente. Normalmente a preparação é da seguinte forma: dissolva o pó em 250ml de água fervente e depois acrescente 250ml de água gelada. A minha dica é: dissolva o pó em 150ml de água fervente e depois acrescente 150ml de água gelada. Assim sua gelatina com certeza vai ficar mais firme e derreter mais devagar.

Como eu evito industrializados aqui em casa, quando tem gelatina é porque eu fiz com suco natural mesmo (opção número 2). A preparação do suco é fácil: você escolhe a fruta (ou polpa) e bate com água. Se o suco precisar ser coado, coe nessa etapa. Tente usar um copo de medida para ter uma noção de quanto suco você tem. Eu normalmente faço 200ml ou 400ml de suco para a gelatina. O próximo passo é levar esse seu suco ao fogo baixo junto com a gelatina em pó. Aqui, mais uma vez, você tem duas opções: gelatina em pó convencional ou o ágar-ágar. A gelatina em pó convencional é aquela velha conhecida, simplesmente uma gelatina sem sabor.

gelatinas

Optando pela gelatina em pó, é só conferir a quantidade de líquido que se pede na instrução de preparo do produto e a quantidade de suco que você já tem. Se você tem 200ml de suco e no produto eles indicam que você use uma colher de sopa para cada 200ml (quantidade inventada por mim), você teoricamente usaria essa colher de sopa, certo? Só não se esqueça que nós queremos uma gelatina mais firme, para que ela não derreta até a hora do lanche. Então temos que diminuir a quantidade de líquido em relação à de pó. Ou você tira de 30% a 50% desse suco, ou aumenta a quantidade de pó de gelatina. A marca que eu costumo usar pede 12g de pó para cada 500ml, então uso 300ml para a mesma quantidade de pó ou uso o dobro de pó para a mesma quantidade de suco. Eu sempre me mantenho nessa proporção de gelatina e dá certo.

O ágar-ágar, minha opção favorita e a mais saudável, é um pó de gelatina feito a partir de algas. Eu prefiro o ágar porque ele não precisa ir à geladeira para ficar firme, é uma ótima fonte de fibras, não altera o sabor do alimento e ele não derrete em temperatura ambiente. Já deu pra ver que facilita muito, né? Com esse produto é só usar a quantidade que é indicada no pacote, não precisa alterar nada. A gelatina não vai derreter. <3

Depois que você escolher seu pó e as quantidades, misture com o suco e leve ao fogo baixo até levantar fervura. Distribua a gelatina entre os potinhos e leve à geladeira. Como eu disse antes, o ágar-ágar nem precisa passar por isso, mas aqui gostamos da gelatina mais geladinha.

Eu gosto de fazer as gelatinas na noite anterior mas, se não der tempo, tente deixar umas 3 horas na geladeira, ok?

OBS: O ágar-ágar costuma ser encontrado com facilidade em lojas de produtos naturais. Se você optar em comprar pela internet, não deixe de usar o cupom THALITA948 para receber 7% de desconto em suas compras na loja Sam e Mamãe na Cozinha. Você encontra o ágar-ágar nesse link aqui.

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Alguns alimentos causam uma reação adversa em algumas pessoas e em outras não. Além disso, essa reação adversa pode se manifestar de várias maneiras – eczema, febre, vômito, enjôo, diarreia, falta de ar, rinite, etc. Logo, essa reação adversa pode ser uma alergia alimentar ou uma intolerância alimentar.

Os mais comuns são leite de vaca, ovo, amendoim, soja, peixe, frutos do mar e nozes. O que pode acontecer também é o que chamamos de reação cruzada, ou seja, alimentos diferentes podem induzir respostas alérgicas semelhantes no mesmo indivíduo. Isso ocorre porque certo alimento tem uma “parte semelhante” ao outro alimento que causa a alergia. Como assim?

Por exemplo, se você tem alergia ao pólen, você pode ter alguma reação a certas frutas in natura ou se você tem alergia ao amendoim, você pode ter reação a ervilha, soja ou outros feijões.

Essas manifestações alérgicas estão aumentando devido as mudanças nos hábitos alimentares. Atualmente, substituímos alimentos naturais, nutricionalmente equilibrados, por produtos industrializados que não há nenhum conteúdo nutricional. Muitas vezes, esses alimentos industrializados contêm milhões de aditivos alimentares na lista de ingredientes que o nosso corpo nem reconhece como “nutriente”. Ou seja, estamos agredindo o nosso corpo e ele PRECISA responder ativando o sistema imunológico. Aumentou mais da metade o consumo de refrigerantes, biscoitos, embutidos, fast food, etc.

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O hábito alimentar é formado desde a infância e não sofre influências somente da família, mas também do ambiente escolar. Devemos nos preocupar com a alimentação na escola que os nossos filhos estudam? Com certeza! A escola é o segundo lugar que influencia o hábito alimentar da criança.

Esses hábitos alimentares influenciarão no crescimento e desenvolvimento da criança, além de influenciar no aparecimento ou não de doenças crônicas não transmissíveis (obesidade, diabetes, hipertensão, etc).

Dessa forma sempre é importante acompanhar o cardápio da escola para saber o que está sendo oferecido ao seu filho. Fique de olho e SEMPRE pergunte se aquele pão de queijo ou aquele bolo que está no cardápio é industrializado ou caseiro. Observe se aquele biscoito maisena ou biscoito de polvilho são oferecidos diariamente ou algumas vezes.

Já as crianças que levam o lanchinho de casa podem levar alimentos saudáveis ou não, depende do hábito alimentar da família. Se a família só tem em casa biscoitos recheados, a criança só levará biscoito recheado. Se a família tem uma alimentação saudável, a criança levará alimentos bons a sua saúde.

O recomendado é que a criança não consuma nenhuma fonte de balinhas, biscoito recheado, suco de caixinha, açúcar nos lanches escolares. Tenha um consumo maior de frutas, sucos naturais, bolos simples e biscoitos simples.

Há crianças que almoçam e jantam nas escolas. Ficar atentos também quanto ao cardápio! É oferecido salada cozida? Crua? Esses alimentos realmente são colocados no prato do meu filho? Ele realmente come? É importante conversar com as professoras para saber se esse alimento está sendo posto no pratinho da criança e, se a criança realmente tem consumido.

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